Jornalistas na Síria: Profissão perigo


AE-AP - Agência Estado
O corpo de Mika Yamamoto, jornalista japonesa veterana que foi morta enquanto cobria a guerra civil na Síria, chegou neste sábado ao Aeroporto Internacional de Narita, em Tóquio.
Funcionários do aeroporto fizeram um momento de silêncio depois de o caixão de Mika ser retirado de uma aeronave da Turkish Airlines.
As duas irmãs da jornalista e a colega Kazutaka Sato chegaram no mesmo voo, que partiu da cidade turca de Istambul. O corpo da jornalista, de 45 anos, será entregue à polícia japonesa para a realização de uma autópsia.
Pelo menos 16 jornalistas morreram no exercício da profissão na Síria desde novembro, segundo o Comitê para Proteção de Jornalistas.
Ativistas dizem que a onda de violência na Síria, que teve início em março do ano passado, já deixou mais de 20 mil mortos. As informações são da Associated Press.
Os sequestros e assassinatos de jornalistas que cobrem o conflito sírio estão se tornando cada vez mais comuns.
Televisão japonesa noticiando a morte da jornalista  Mika Yamamoto

Repórteres, fotógrafos e cinegrafistas estariam na mira de “forças de ambos os lados, pró e contra o governo”.
Os casos são numerosos. Na semana passada, o correspondente sírio Ahmad Sattouf, do canal iraniano Al-Alam – que apoia o governo da Síria – foi sequestrado. O escritório do canal foi saqueado. O sequestro de Sattouf é o oitavo registrado no ultimo mês pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas. Nas últimas duas semanas, pelo menos três jornalistas que trabalhavam para veículos estatais foram mortos.
Na semana passada, quatro membros de uma equipe de TV do canal pró-governo al-Ikhbariya foram capturados em um subúrbio de Damasco por rebeldes do Exército Livre da Síria, maior grupo de oposição. Acredita-se que um deles esteja morto.
Também na semana passada, Ali Abbas, chefe de reportagem da Sana, agência de notícias oficial do país, foi morto a tiros em sua casa em Damasco. Um porta-voz da agência afirmou que o assassinato faz parte de uma campanha para silenciar veículos de mídia ligados ao governo.
No mesmo dia, Bara’a Yusuf al-Bushi, jornalista que contribuía com veículos internacionais como a Sky News e a al-Jazeera, foi morto em um bombardeio. Em maio, ele havia desertado do serviço militar obrigatório e ido para o Exército de Libertação da Síria.
Acredita-se que o apresentador da TV estatal Mohamed al-Saeed esteja morto. Um grupo islâmico ligado à al-Qaeda afirmou que o decapitou no início do mês depois de sequestrá-lo em 19 de julho. No início de agosto, o cinegrafista Talal Janbakeli, da TV estatal síria, foi sequestrado por um outro grupo armado. Poucos dias depois, uma bomba explodiu o terceiro andar do prédio onde funcionam a TV e o rádio estatais em Damasco, ferindo três pessoas. Com informações do CPJ [14/8/12] e do Guardian [16/8/12].

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